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Gripe – por Dr. Paulo Telles

Outono e Inverno, nesta época do ano pais e pediatras ficam malucos e preocupados com a tosse, febre nariz escorrendo, chiado, falta de apetite, o que de tão diferente acontece nestes meses?

Pois bem chegou a época da  GRIPE!

A gripe é uma doença respiratória aguda causada por vírus influenza A ou B que afeta aves e mamíferos. Ocorre em surtos a cada ano, principalmente durante o inverno.

Manifesta-se por sinais e sintomas de vias aéreas superiores e/ou inferiores, mas as manifestações clínicas da gripe em crianças variam de acordo com a idade e contato prévio com o vírus.

Entre as crianças saudáveis, a gripe é geralmente uma doença aguda, autolimitada, ou seja resolve-se sozinha e sem complicações. Em alguns casos, no entanto, a gripe está associada a algumas complicações como pneumonia, otite, bronquiolite e  insuficiência respiratória.

As crianças, principalmente abaixo de 5 anos  têm risco aumentado de apresentar infecção mais  grave ou complicações.

Os fatores de risco para infecção complicada nas crianças incluem:

–          idade menor que cinco anos (risco maior em menores de dois anos)

–          doença pulmonar crônica (incluindo asma  e bebês que chiem com freqüência)

–          problemas cardíacos

–          prematuridade, entre outros.

 

Como meu filho pega a Gripe?

A transmissão da gripe se dá pelo contato interpessoal, primariamente através de secreções respiratórias (contato direto ou gotículas) e secundariamente através de objetos, como brinquedos, chupeta e talheres. Existe grande quantidade de vírus na secreção respiratória das crianças doentes. A disseminação do vírus tem seu pico entre 24 e 48 horas do inicio do quadro e após isso começa a declinar, durando habitualmente cinco a sete dias nos adultos e até 14 dias nas crianças.

O período de incubação é de um a quatro dias (média de dois dias).

 

Manifestações Clinicas

Influenza A e B causam predominantemente doença respiratória. O início dos sintomas é abrupto, caracterizado por febre, calafrios, coriza, dor no corpo , dor de cabeça, conjuntivite, faringite, rouquidão e tosse seca. Caracteristicamente, influenza causa mais sintomas gerais do que os outros vírus respiratórios. Os sintomas podem localizar-se em qualquer porção do trato respiratório, produzindo uma infecção de vias aéreas superiores, com nariz entupido ou escorrendo e ronco, ou afetar o pulmão causando bronquiolite, pneumonia e piora de asma. Este tipo de acometimento é mais freqüente em crianças menores de dois anos.

Na faixa etária pediátrica, sintomas como diarréia e dor abdominal são mais freqüentes, especialmente em infecções por influenza B.

 

Tratamento

O tratamento envolve repouso, de preferência deixar a criança em casa, sem freqüentar escolas e creches,  hidratação, (líquidos a vontade, incluindo água, leite sucos) e analgésicos ou antitérmicos (Tylenol, novalgina por exemplo).

Existem algumas medicações anti virais como Tamiflu, que pode ser administrado nas primeiras 48hs do início dos sintomas para diminuir gravidade e duração da doença. Mas só deve ser usado com prescrição medica e em alguns casos específicos.

Mtas vezes sou questionado sobre o uso de antibióticos nos quadros gripais, os antibióticos não devem ser usados na gripe, por que antibiótico só mata bactérias e não vírus, que são os causadores da gripe

No entanto em casos de complicações por infecções bacterianas secundárias, como em otites ( infecção de ouvido) e pneumonia o uso dos antibióticos deve ser indicado. Devemos suspeitar destas complicações na criança persistência da febre por mais de 72hs , retorno de febre, piora do estado geral ou do padrão respiratório ( ofegante, com falta de ar) ou queixa de dor de ouvido.

A evolução normalmente na gripe  é excelente, com recuperação total em quase todos os pacientes, porém com tosse persistente por semanas e não dias como a maior parte dos demais vírus respiratórios.

 

Prevenção

Prevenção primária se dá através da vacinação. As vacinas que usamos são feitas com vírus inativado (morto)., por isso não causam a gripe, podem dar apenas febre nas 24hs seguintes da aplicação. Anualmente a Organização Mundial de Saúde prevê qual serão as cepas virais epidêmicas para o próximo ano, permitindo que as indústrias farmacêuticas produzam vacinas de acordo, por isso a vacina deve ser refeita todo ano.

A vacinação contra o influenza na pediatria está indicada para todos os pacientes com mais de seis meses de vida.

Lembrando que crianças que freqüentam creches, escolas e berçários estão mais expostas a gripe e podem passar quase o inverno todo tossindo, com coriza e obstrução nasal. Fiquem atentas aos sinais de complicações e na piora falem ou procurem seus pediatras.

Bjos Paulo Telles

Dr. Paulo Telles
Pediatra / Neonatologista

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