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Dor do crescimento

Com certeza a maioria de vocês já ouvi falar sobre dor do crescimento, mas como exatamente ela pode acometer os nossos filhotes?

 

A dor nas pernas é queixa frequente em criancas de 3 a 6 anos (podendo acometer, em alguns casos, até os 10 anos de idade). Tradicionalmente é chamada dor do crescimento, apesar de não haver relação clara com as fases de crescimento acelerado. É importante que os pais valorizem este sintoma, porque em uma minoria dos casos pode estar associado à doenças ortopédicas e oncológicas.

 

O relato das mães é quase sempre o mesmo: durante o dia a criança brinca normalmente, corre, joga futebol, vai à escola. E à noite surge aquela dor inexplicável, que a criança não consegue nem mesmo dar a localização exata.

 

A dor do crescimento tem as seguintes características:

– não interfere nas atividades diárias;

– tem duração variável, de poucos minutos a algumas horas;

– melhora espontaneamente sem medicamentos ou com massagem local;

– não é contínua, há períodos de melhora que variam de dias a semanas;

– não é acompanhada de inchaço articular, claudicação ou febre;

– acomete os dois lados;

– a criança sempre tem aspecto saudável.

 

A dor é comum no final da tarde e à noite.

A criança realmente sente dor, não é manha, mas os fatores psicológicos podem predispor a criança a sentir essa dor.

Cerca de 30% das crianças também reclamam de dor de barriga e cabeça. Em alguns casos observam-se problemas emocionais, como ansiedade e problemas de relacionamento. Pode haver coincidência com mudanças na vida da criança, como o nascimento de um irmão ou mudança de escola.

Além disso, se os pais tiveram a dor quando pequenos, as chances de os filhos passarem pelo transtorno são grandes.

Não é necessário tratamento medicamentoso para a dor de crescimento, e há melhora com o passar do tempo. Massagens e compressas quentes são indicadas para aliviar, assim como a prática de exercícios físicos de baixo impacto, como a natação.

 

Não se pode esquecer que algumas doenças infecciosas e oncológicas podem se manifestar com dor nas pernas, que nestes casos costuma ser de forte intensidade e acompanhada de outros sintomas, como os abaixo.

 

Sinais de alerta para as crianças e adolescentes com dor músculoesquelética:

1. Dor localizada em um único ponto (exemplo: um joelho, um tornozelo, etc).

2. Mancar (claudicação).

3. Dor nas costas, mesmo em crianças que usem mochilas, especialmente ao acordar pela manhã.

4. Dificuldade na realização das atividades diárias, como brincar, correr ou praticar esportes.

5. Inchaço em uma ou mais articulações.

6. Febre persistente, não associada à infecção aparente.

7. Emagrecimento exagerado em um curto espaço de tempo (poucos meses).

8. Pouca melhora com massagem ou analgésicos comuns.

9. Fraqueza muscular (dificuldade para subir escadas ou para levantar objetos pesados).

 

Algumas crianças que apresentam dor depois de exercícios físicos têm aumento da frouxidão dos ligamentos, o que acarreta uma condição chamada hipermobilidade articular (articulações mais flexíveis). Pode se localizar nas mãos, braços, pernas e coluna. Nos casos de dor intensa, devem ser evitados o balé e alguns esportes de alto impacto, como o futebol e o basquete. Natação e a hidroginástica são indicadas na maioria dos casos.

 

Em algumas crianças a dor pode estar associada ao uso de videogames e computadores, caracterizando as lesões de esforço repetitivo. O problema é decorrente de movimentos contínuos nos períodos de estudo ou lazer, posturas inadequadas e estresse emocional. A dor se acompanha de sensação de “queimação” ou de peso, e às vezes vem acompanhada de formigamento nas extremidades dos dedos. Pode atingir punhos, antebraços, mãos e coluna.

 

O uso de computadores e videogames por crianças deve ser restrito a uma ou duas horas por dia, no máximo, com supervisão dos pais. Dessa maneira, evita-se uma sobrecarga do sistema músculoesquelético, além do estresse relacionado à esta situação. Para os adolescentes que utilizam muito o computador, a melhor forma de prevenir as lesões é a manutenção de uma postura correta. Devem ser orientados exercícios de alongamento e relaxamento dos braços, punhos, mãos e coluna por cerca de dez minutos a cada hora.

 

Muito importante ressaltar que é fundamental SEMPRE consultar o seu pediatra no caso de dúvidas, a auto-medicação pode ser muito perigosa!

 

Coloco-me à disposição para qualquer esclarecimento.

 

Um beijo à todas e uma ótima semana!

flavia-mariano-120x120 Dra. Flávia Mariano
 CRM 127047
 Pediatra e Neonatologista
 Mãe da Gabi, 3 anos
** Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria
                     Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica

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