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Bronquiolite – O que é e como prevenir.

Olá queridas M@es, hoje vou falar para vocês sobre BRONQUIOLITE.
Por ser uma doença cujo pico acontece nos meses mais frios (outono e inverno), têm-se falado muito ultimamente sobre bronquiolite, que é uma das principais causas de internação infantil nessa época do ano.
A bronquiolite é a inflamação dos bronquíolos, a parte mais fininha da via aérea que leva o ar para os pulmões. Essa inflamação provoca um edema (inchaço) das vias aéreas e aumento da secreção no seu interior, dificultando a respiração.
Os principais causadores da bronquiolite são os vírus respiratórios, e o mais comum e que causa quadros mais graves é o VSR (vírus sincicial respiratório). Outros vírus que também podem causar a bronquiolite são o adenovírus, rinovírus, parainfluenza, influenza e o metaepneumovírus. Eles são os vírus que causam as gripes e resfriados comuns em crianças e adultos, mas nos bebês, além do resfriado eles podem atingir o pulmão, causando essa inflamação nos bronquíolos.

O VSR (vírus sincicial respiratório) é altamente contagioso e pode permanecer ativo em superfícies (mesas, corrimão, maçanetas…) por várias horas. É transmitido pelo contato com uma pessoa infectada, através de tosse ou espirros, pela saliva ou secreções. E também pelo simples fato de estar no mesmo ambiente que uma pessoa infectada. Caso a pessoa com o vírus espirre ou tussa, não lave a mão que foi usada para proteger o rosto, e na sequência passe a mão em uma dessas superfícies que falei acima, por exemplo. Aí outra pessoa passa a mão em uma dessas superfícies e leva ao nariz/ boca… Pronto! Foi infectada pelo vírus também!

Por isso é tão importante ter o hábito de lavar sempre as mãos, de passar álcool gel, e evitar ficar colocando a mão no nariz/ boca e/ olhos em locais públicos.
E também por isso que nós pediatras também pedimos tanto para evitar lugares fechados e com grande concentração de pessoas agora no inverno, principalmente se estiver com bebês, que têm o sistema imunológico “imaturo” e são mais suscetíveis a pegar infecções.
Mamães resfriadas devem lavar bem as mãos várias vezes ao dia, ter um álcool gel sempre à mão e usar máscara quando for amamentar.

O vírus sincicial respiratório é muito comum e existe no mundo inteiro. Praticamente todas as crianças terão tido contato com ele até os 3 anos de idade; mas enquanto algumas desenvolvem somente quadros brandos, como resfriados, outras (geralmente as mais novas) podem ter casos mais graves, com necessidade de internação.
Normalmente as crianças acima de 2 anos que entram em contato com o VSR não desenvolvem a bronquiolite, apenas um quadro de resfriado simples.
Pode-se pegar o VSR mais de uma vez, mas em geral as infecções subsequentes são mais brandas que a primeira infecção.

Os principais fatores de risco para desenvolver bronquiolite são:
– Prematuridade
– Baixo peso ao nascer
– Idade inferior a 3 meses
– Crianças com doença pulmonar, neurológica ou cardíaca prévia
– Imunodeficiência
– Fumo passivo
– Frequentar berçário / escolinha
– Ter irmãos mais velhos que frequentemente trazem infecções respiratórias para casa
– Ambientes frios (o vírus costuma circular com mais facilidade no inverno)

O período de incubação do VSR é de 2 a 5 dias, e os primeiros sintomas são inespecíficos, típicos de qualquer resfriado (coriza, espirros, tosse e febre baixa).
Na maioria das crianças o vírus fica restrito às vias aéreas superiores e o quadro não evolui muito a partir daí. Porém em alguns casos (principalmente nas crianças mais novinhas) o vírus pode alcançar áreas mais profundas da árvore respiratória, atacando os brônquios e bronquíolos, levando à bronquiolite.

Na bronquiolite os sintomas surgem após 2 a 5 dias de resfriado, apresentando os seguintes sintomas:

– Broncoespasmo (chiado no peito)
– Cansaço para mamar e engasgos durante a mamada
– Recusa alimentar
– Letargia e sonolência
– Tosse persistente, que pode durar mais de 2 semanas

O pico dos sintomas costuma ocorrer entre 5 a 7 dias do início do quadro, e a recuperação completa geralmente se dá em 1 a 2 semanas, mas pode demorar até 4 semanas nos casos mais graves (que geralmente foram aqueles que precisaram de internação).
O diagnóstico da bronquiolite é clínico, baseado nos sintomas e no exame físico.
Quando se faz necessária a internação, RX de tórax, hemograma, PCR, e outros exames podem ajudar na condução do caso).

TRATAMENTO

Assim como na gripe/ resfriado, não há um tratamento específico para a bronquiolite. Nos casos mais leves, repouso, antitérmicos caso haja necessidade, lavagem nasal com soro fisiológico e inalação também com soro. Muitas vezes também recomendamos sessões de fisioterapia respiratória, que ajudam muito na eliminação das secreções.

Se houver algum grau de broncoespasmo, a utilização de broncodilatadores está indicada e em alguns casos, oxigênio (obviamente em ambiente hospitalar).

Claro que toda orientação e conduta terapêutica deve ser feita pelo pediatra que examinou a criança, seja no consultório ou no pronto-socorro.

Portanto, como podemos ver a melhor medida é mesmo a prevenção!

Não existe vacina para esses vírus que causam a bronquiolite, somente temos o Palivizumab (um anticorpo monoclonal contra o VSR), mas seu uso não previne a infecção pelo vírus. Apenas evita as formas graves na população de alto risco (menores de 1 ano nascidos abaixo de 28 semanas de gestação, menores de 2 anos de idade portadores de algumas cardiopatias e algumas doenças pulmonares). Seu alto custo limita o uso em larga escala, por isso o governo brasileiro disponibiliza essa medicação somente para esses casos especiais.

Lavem bem as mãos e consulte sempre seu pediatra!!!

Um grande beijo,

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