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Tita Nicastro – Entrevista Mãe da semana

Um dia desses abri um inbox da Rê, perguntando se eu toparia ser a mãe da semana. Fiquei feliz com o convite e comecei a pensar no que escreveria… como é difícil falar da gente, né? Mesmo diante dessa dificuldade, topei.

Vou começar então falando que sou filha de um gaúcho arretado com uma paraense trilegal que cresceu no Ceará. Meu pai saiu do Sul, rumo ao Nordeste, casou com minha mãe e a trouxe pra São Paulo, de onde não mais saíram e aqui fizeram nossa família. Meu pai é um comissário de bordo aposentado, voou por 33 anos. Minha mãe sempre trabalhou muito também, tão quanto ou até mais do que meu pai, pois ela cuidava da casa e das filhas e o seu trabalho era dobrado nos dias de ausência do meu pai.

Era somente uma ausência física, porque nunca me faltou carinho, atenção e amor, mesmo com um oceano nos separando. Era uma alegria chegar da escola e ter que procurá-lo pela casa. Mesmo cansado e com fuso horário na cabeça, arrumava tempo pra brincar comigo.

Tive uma infância muito feliz. Brincava na rua até tarde, jogava queimada, brincava de polícia e ladrão… coisas que as crianças de hoje não farão, infelizmente. Na escola, e mais tarde na faculdade, fiz amizades lindas, que estão comigo até hoje e alguns amigos inclusive foram promovidos a parentes, fazem parte da minha família.

Fiz faculdade de Ciências Biológicas com Licenciatura Plena. Então juntei minhas duas paixões e hoje sou professora de Ciências. É a profissão mais linda do mundo e não me vejo fazendo outra coisa na vida, embora esteja cada dia mais difícil lidar com os obstáculos que encontro nesse meu caminho profissional, principalmente na esfera do ensino público estadual. É mais fácil enfrentar essas dificuldades quando você percebe que orientar para a vida é mais importante do que ensinar Ciências e que “perder” uma ou duas aulas falando de valores e respeito é, na verdade, um ganho.

No final da adolescência, conheci meu marido na balada de aniversário de uma amiga. Eu tinha acabado de completar 18 anos. Hoje estou com 37, então tenho a companhia dele por mais da metade da minha vida. Dá pra ter uma idéia do tanto de histórias que temos pra contar, principalmente depois da chegada dos nossos filhos: João Victor (8 anos) e Pedro (3anos), nossas maiores riquezas. Dois meninos completamente diferentes, fisicamente e de gênio, mas ambos com uma essência linda, são meninos bons. Depois da chegada desses príncipes foi que eu percebi sentido na minha vida. Desde então, eu respiro eles.

Eu era: moleca, imatura, insegura, organizada, rueira (não parava em casa).

Depois da maternidade, eu sou: determinada, forte, segura, rueira, mas a minha vida social se tornou um complemento da vida social das crianças, sigo a agenda deles, rs. E abençoada demais, por ser mãe desses lindões.

Como descobriu a primeira gravidez: Estávamos planejando, então desconfiei que estava grávida quando a menstruação atrasou e vieram as dores nos seios. Confirmei com um exame de sangue. Inexplicável a emoção. Um dia antes de descobrir, passei mal com o cheiro de carne. Eu? Carnívora, que ama comer? Acho que nem precisava do Beta pra constatar a gravidez.

E a segunda: Também foi planejada. No dia em que descobri a gravidez, através de um teste de farmácia, o João me acordou falando que havia sonhado com um presente de aniversário: dois peixinhos, sendo um azul e um verde. O bebê nasceria no mês do aniversário do João e então encuquei com isso, achando que estava grávida de gêmeos. Ao fazer a primeira ultrassonografia, lá estavam os dois peixinhos do João. Apesar de não conseguir acreditar e sair do laboratório com as pernas tremendo, mal conseguindo andar, já estava me sentindo a melhor mãe de três do mundo. Infelizmente um dos peixinhos parou de se desenvolver ainda no começo da gravidez. Foi o momento mais difícil que vivi. Perder um bebê já é algo dificílimo de lidar. Agora imagine o que é perder um bebê e ter outro ali se desenvolvendo bem, saudável mas que não te permite viver o luto… Graças a Deus o que aconteceu não impediu o desenvolvimento do meu Pedroca e hoje entendo o motivo disso ter acontecido… este menino vale por dois!

Pretende ter outros: Justamente por ter passado por tudo isso, tinha vontade de ter mais um filho, mas essa vontade passou logo quando o Pedro nasceu e junto veio a depressão pós parto. Hoje sou super realizada e completa.

Trabalha: Sim, leciono Ciências. Além disso, tenho o segundo e o terceiro turno em casa para dar conta.

Em caso positivo, onde ficam as crianças: Na escola, pois trabalho no período de aula das crianças.

Por que optou por isso: Eles estão em idade escolar, mas entraram cedo na escola, no berçário, pois acredito que a criança deve receber os estímulos adequados e principalmente socializar, interagir com outras crianças da mesma idade.

Melhor distração: a corrida! Quando eu estava no auge do sobrepeso e da depressão pós parto, amigos me botaram pra correr, literalmente. E através da corrida, aprendi a importância de se ter um tempo pra você. Sem a corrida, não sei como eu estaria dando conta de tudo que carrego nas costas. E aprendi que a corrida é um esporte coletivo. Não é apenas um esporte de superação e metas. Estar com as amigas é a parte mais gostosa dos treinos e provas. Mas o principal apoio que recebi foi do marido, que sempre segurou as pontas com as crianças pra eu sair pra correr, sozinha ou com as amigas, sempre me incentivou e vibrou com cada medalha conquistada, com cada número a menos na balança.

Ícone: minha avó Lucy, que foi uma mãe maravilhosa, mas se superou como avó. Nunca a vi chorar, sempre a vi sorrir, mesmo diante das maiores dificuldades. Minha mãe herdou isso da minha vó, então coloco ela aqui também. Essa é uma característica que eu gostaria de ter herdado.

Ser feliz é: olhar pra tudo o que você tem e agradecer, ao mesmo tempo em que olha para o sucesso dos outros e aplaude. Se você não consegue ficar feliz com a felicidade do outro, tem algo errado na sua vida.

O maior sonho: Já realizei o maior de todos, me tornando mãe. Tenho vários sonhos para realizar e um deles é passar um natal em NY com minha família. Foi muito mágico pra mim e quero muito que meus filhos vivam isso.

Horas de sono por noite: Cinco, no máximo seis horas.

Uma dica para as futuras mães: Sim, vocês errarão muito. Farão escolhas erradas, vão se decepcionar algumas vezes, por planejar de um jeito e ver acontecer de outro. Quando isso acontecer, pensem que erraram tentando acertar, por acreditarem que aquilo era o melhor para seu filho. E confiem no instinto materno.

Uma receita infalível para os pequenos: “mamãe morde-e-assopra”: criança tem que ter limite, tem que entender desde cedo que em todo o lugar que ele vá, existem regras a serem seguidas e que, se não as seguir, existem as consequências. Mas não tem como a criança aprender isso sem afeto, sem amor, sem carinho.

Um programa inesquecível: Sei que posso sofrer bullying por causa desta resposta, mas nunca me esquecerei do show do New Kids On The Block, que fui em 2012, kkkkkkk. Eu sei, troféu maturidade pra mim, mas tô nem aí… fui uma adolescente frustrada por ser fã incondicional dessa boyband e nunca ter ido a um show deles. Quase 21 anos depois da ultima vinda deles pro Brasil, lá estava eu, balzaquiana, na fila do show, com direito a bandana e camiseta.

A viagem perfeita com os pequenos: Fortaleza, 2012. Tínhamos acabado de passar por uma grande perda na família, com o falecimento da minha sogra. A viagem estava programada e seria a comemoração do aniversário de seis anos do João e do primeiro aninho do Pedro. Chegamos em Fortaleza e minha amada família que lá mora nos recebeu de braços abertos, nos dando todo o carinho e apoio que estávamos precisando. Minha família amparou o meu marido, fez uma festa linda de aniversário para os meus filhotes e recebeu os padrinhos dos meninos. Voltamos este ano para lá e ficamos 1 mês, sem tristeza, aproveitamos muito e levei meus pais comigo. Mas a viagem de 2012 foi inesquecível.

Tita X Tita: teimosa, ansiosa, resistente à mudanças, muita dificuldade em lidar com o novo e não evoluída a ponto de não guardar mágoas. Eu até passo por cima e toco a vida, mas guardo aquilo e sofro com isso. Mas também, me decepciono uma vez só. Entre minhas qualidades, destaco o bom humor, lealdade e senso de justiça. Não meço esforços para defender os que eu amo. Pise no meu calo, mas não mexa com os meus.

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2 comentários

  1. Cleuza Banhos

    Tira me emocionei ao ler sua entrevista, vc merece ser não só a mãe da semana, mas a mãe do ano! LINDAAAAAA

  2. Rachel Marinho

    Prima ja acompanhei de perto o exemplo de mulher e mãe q vc é! Vc só nos dá orgulho e é um exemplo a ser seguido! Te amo e amo nossa família !