categorias: Mãe da Semana

Quem você era antes de ser mãe?

Toda mulher, ao tornar-se mãe, vê seu mundo transformado em algo novo. A vida muda, e com ela mudamos desde o nosso jeito de pensar, até nosso modo de agir, de ser, de amar. A maternidade nos transforma, e não tenho dúvidas de que as  mudanças são para  melhor. Mesmo com todas as dificuldades dos primeiros dias e dos primeiros anos, nada parece ter o mesmo sabor se não pudermos ter por perto, de alguma forma, aqueles pequenos seres que justificam nossa condição de mulher: os filhos.

Eu pensei sobre isso outro dia mesmo, enquanto voltava de uma balada só para mães. Não era um dia como outro qualquer, era um dia de greve de ônibus na caótica cidade de São Paulo, com direito a rodízio suspenso, trânsito monstro, helicópteros em meio a arranha-céus. Era terça-feira, mas apesar de tudo, em nenhum momento pensei em desistir do meu vale night e voltar para casa e para minha condição de mãe. Eu segui em frente, afinal, não é todo dia que uma mãe consegue tirar férias por uma noite, ainda mais uma mãe de cinco filhos, como é o meu caso.

Eu participo de muitos grupos de mães, adoro ir aos encontros, de happy hours animados a piquenique com os filhos, sempre regados a muitas conversas sobre o terrible two, a ansiedade de separação, o nana nenê, a secretária do lar e o lanche da escolinha. Mas esta era uma noite especial. Deixei o marido, os  filhos e a condição de mãe de lado, para um encontro não apenas com amigas queridas, mas comigo mesma. Mais precisamente, com aquela que eu era, antes de ser o que sou.

Começamos a noite tímidas, cantando na mesa, depois cantando em pé, depois nos mudando para perto do palco. Que delícia estar num show para nós! E conforme as músicas iam tocando, dava vontade de levantar, de cantar, de gritar,  de dançar, dançar, dançar.  Drinks, petiscos, e de repente eu nem estava mais com vontade de conversar, porque meu corpo estava lá falando por mim. E então, mesmo sem querer, eu me lembrei do quanto eu amo dançar. Do quanto eu já fui rata de baladas e shows de todo tipo, desde baladas playboys no Itaim, até clubes cariocas de samba-rock, sem deixar de lado as micaretas e Carnavais em Salvador. Me lembrei do quanto faz bem cantar, gritar, e sacolejar a alma, não importa a música, nem o ritmo, nem a letra.  E olhando a minha volta, no meio de tantas mães, ficou claro que não era a única saudosista do pedaço.

E fiquei pensando em tudo o que mudou na minha vida, desde que me tornei mãe. De tantas coisas que eu escolhi fazer diferente, e de outras, que acabei mudando sem perceber e sem pensar. E sem necessidade. Afinal, só porque a vida muda, temos que mudar quem somos junto com ela? Será que a maternidade exige mesmo tantas renúncias, ou nós é que vamos nos deixando de lado, sem ao menos perceber?

Depois da balada para lavar a alma, ainda saímos para comer um docinho e tomar um café. Sempre com aquela vontade de querer que algo gostoso que está acontecendo, continue acontecendo. Uma vontade de não ter que se despedir daquela pessoa que você encontrou dentro de você mesma, e que estava lá esquecida entre fraldas, mamadeiras, boletins, lancheiras e noites sem dormir. Por pura falta de atenção minha, e não por imposição ou suposição da minha nova condição de mãe.

É claro que na vida, toda escolha pressupõe uma renúncia. Não estou aqui para dizer que de agora em diante eu vou para a balada todos os dias, apenas que eu espero não ter que precisar de tanto para responder uma pergunta tão simples: Quem eu era mesmo, antes de me tornar mãe? Quais eram meus desejos, meus sonhos, minhas vontades, meus hobbies? O que eu gostava de ler antes de começar a comprar “Por que as crianças francesas não fazem manha?” e “Criando filhos gêmeos”? Quais programas eu assistia além de “Super Nanny” e “Slugterrâneos? Que filmes estavam sempre passando na minha TV antes dos clássicos da Disney? E o mais importante: Nossos filhos merecem carregar a responsabilidade por um esquecimento que é nosso?

Quanto a mim, já decidi que vou livrar meu quinteto desta causa. Porque eu escolhi ser mãe, mudar meu mundo, minha vida, minha alma, e o que mais for preciso por eles, mas o que não for preciso, vai ficar como sempre esteve. Porque para os meus filhos, mais vale uma Sabrina inteira, do que uma mãe perfeita pela metade.

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4 comentários

  1. Fabiana Faria

    Que texto ótimo… Falo tanto sobre isso para as mães que conheço: não se esqueçam nunca. Os filhos crescem e vão preferir uma mulher inteira. Vão preferir saber que a mãe é um ser humano como todos os outros, que tem história, que tem vida, que tem coisa pra contar. Beijos, Fabi

  2. Renata respondeu Fabiana Faria

    É isso: Não se esqueçam nunca!!!

  3. Fernanda

    O que dizer?? Vc é meu ídolo!!! ❤️❤️❤️

  4. Daniele

    Ser mãe e uma escolha … E quem escolhe ser mãe vai aprendendo a responsabilidade no dia a dia, pois por mais que nos preparamos sempre somos surpreendidas por novas condições…. Ser mãe e se transformar…