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Entrevista mãe da semana – Ana Paula Gutierres Ramazzini

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a Renata pelo convite para ser a mãe da semana… fiquei surpresa, mas muito feliz com o convite. Deu aquele frio na barriga… na hora pensei, Nossa! Justo eu? Que estou me descobrindo mãe de verdade agora. Mas vamos lá, vou contar um pouquinho da minha vida para vocês.

Meu nome é Ana Paula, tenho 32 anos, nasci e cresci em Amparo, interior de São Paulo. Tenho dois irmãos, Bruno e Paulo, um monte de tios, primos…uma família enorme !!!

Tive uma infância maravilhosa, aproveitei e aprontei muito; como era bom brincar descalça na rua até tarde, naquela época era tudo tão simples, tão puro… posso dizer que realmente aproveitei minha infância.

Em 1999, com 16 anos conheci o Diego, hoje meu marido. Aquele foi um ano importante na minha vida, comecei a namorar, me formei e passei no vestibular para Fisioterapia. No ano seguinte me mudei para Campinas onde morei por 5 anos. Foram 5 anos intensos, fazendo a faculdade que eu adorava, com um namorado que sempre foi muito importante para mim, conheci amigas que trago em minha vida até hoje; sempre falo que foi uma fase muito importante na minha vida, pois foi aonde comecei a crescer, virar mulher, querer ser independente e lógico, minha vontade de ser mãe ia aumentando a cada dia. Em 2005, fiz estágio na UTI neonatal na Maternidade Campinas, eu AMAVA poder ajudar aqueles bebezinhos, apoiar as famílias… eu me doava por inteiro para eles. E isso foi um problema, pois como profissional da saúde temos que saber separar as situações e eu nunca soube, sempre me envolvi com a estória de vida de todos meus pacientes.

Nesse mesmo ano, no mês da minha formatura, o Diego me surpreendeu com um lindo e inesquecível pedido de casamento. E então mais mudanças pela frente, me mudei para São Paulo, fui morar sozinha e comecei a trabalhar e fazer pós-graduação. Tudo foi se ajeitando, o tempo passando e então marcamos a data do nosso casamento. Tive bastante tempo para organizar o grande dia, tudo estava indo muito bem, o casamento estava marcado para dia 29 de março de 2008. Com tudo pronto, faltando apenas 23 dias para meu casamento, infelizmente e inesperadamente meu pai faleceu. Meu mundo desabou !!!

Como meu pai estava feliz e aprovava o meu casamento, tinha participado de todos os preparativos tanto do casamento, quanto da nossa lua de mel, uma vez que nossa família possui uma agência de viagens. Ele tinha feito minha lua de mel com muito amor, pensando em cada detalhe… não podia perder isso, não podia mudar tudo o que ele ajudou a preparar e estava muito feliz com tudo o que estava acontecendo comigo. Com muita dor no coração mas com a força que meu pai sempre me ensinou , me casei no dia 29, como programado. Foi um casamento maravilhoso, tudo saiu como eu queria… senti meu pai presente o tempo todo !!! Como ele fez e faz falta em minha vida !!!!

Logo que casei já comecei a tentar engravidar, pois era tudo o que mais queria. Alguns meses depois, quase explodi de felicidade quando fiz um teste de farmácia e deu positivo !!!! Quando contei para o Diego, choramos juntos de felicidade. Fiz o exame de sangue que confirmou a gravidez; não aguentei a espera e fiz o exame de sangue para saber o sexo o bb, era um menino, ia se chamar Pietro. Mas com 9 semanas de gestação acabei tendo um aborto e perdi meu bb. Logo que a médica liberou comecei a tentar engravidar novamente, tive mais alguns abortos bem no início, que nem precisaram de curetagem.

Em maio de 2009, para minha felicidade engravidei novamente, as semanas foram passando e tudo ia bem… a cada semana que passava ficava mais feliz, dessa vez era uma menina, minha Beatriz, eu estava radiante, até que no exame morfológico descobrimos que ela tinha um síndrome rara, chamada Síndrome de Dandy-Walker, que tristeza, passei por muuuuuuuitos médicos, todos confirmavam o diagnóstico e me diziam que o prognóstico era péssimo, diziam que as chances de ela sobreviver eram mínimas e mesmo que ela nascesse seria muito complicado ela continuar viva. Um dos exames que eu fiz foi a punção do liquido amniótico, a essa altura, eu já estava com umas 15 semanas de gestação e minha GO tinha me indicado um medicamento chamado Stilnox para dormir, pois eu estava muito nervosa e não conseguia relaxar nem por um minuto. Para fazer a punção, que eu estava morrendo de medo, essa GO me prescreveu 3 comprimidos do Stilnox, assim eu não sentiria nada e conseguiria fazer o exame. Tomei o remédio e como contei em meu post no grupo, ele me relaxou tanto que achei “mágico”, então toda vez que eu estava muito ansiosa, nervosa, triste… eu tomava esse remédio e pronto, ficava mais tranquila.

Eu não via problemas em tomar o remédio, afinal foi a GO que me prescreveu, não era remédio tarja preta e eu achava que estava me ajudando a passar por tudo aquilo. Grande engano !

Fui levando a gravidez, estudando tudo sobre a síndrome, e com a esperança de que um milagre podia acontecer e que logo eu iria carregar minha tão sonhada e esperada bb no colo, mas com 22 semanas, em um sábado à noite, logo depois da festa de casamento de um amigo, comecei a sentir muita dor, fui direto para o hospital, e o coração da Beatriz já estava batendo bem fraquinho. Então infelizmente, na segunda feira, perdemos nossa filhinha; Beatriz virou uma estrelinha. Tive que internar, fiquei 19 horas em trabalho de parto, até conseguir parir, e depois passei por uma curetagem. Foi tudo muito triste, não conseguia aceitar tudo o que estava acontecendo na minha vida.

Minha mãe sempre foi uma mãe muito presente em minha vida, e nesse momento não preciso nem dizer que ela foi muito importante para nós, pois eu e o Diego estávamos inconsoláveis. Ela resolveu nos levar para um lugar que ela tinha certeza que ia aliviar nosso sofrimento, pois sempre amamos viajar… fomos para a Disney !!! Foi uma viagem triste, mas ao mesmo tempo me fez recuperar as esperanças e não desistir do meu sonho de ser MÃE.

Passaram-se longos anos, muitos tratamentos, uma inseminação artificial sem sucesso, muito remédio para não me sentir, ou melhor não sentir a vida passar, não sentir toda aquela tristeza e frustração que tinha em meu coração até que em maio de 2013 finalmente veio o positivo novamente. Foi uma mistura de sentimentos, fiquei feliz, mas com muito medo. Tive uma gravidez bem difícil por conta do remédio que eu tomava desde 2009 para me acalmar… tentava parar mas passava muito mal sem ele. Ainda sem saber, já estava dependente dele !!!

Cada semana que passava era um alívio, cada exame que eu fazia era um alívio maior ainda, pois dessa vez estava tudo perfeito com minha bb, Deus me mandou mais uma menina, minha Laura. As semanas passavam, minha barriga crescia, eu sentia a Laura se mexer muito, era uma delícia… estava muito feliz. Minha médica achou melhor fazer uma cesária, então marcamos para dia 31 de janeiro de 2014 às 16h, mas na madrugada do dia 30, Laura resolveu que já estava na hora de conhecer esse mundão… comecei a ter as contrações, e fui controlando até ficarem mais fortes. Fui para maternidade e Laura nasceu as 13:33h, perfeitinha, linda… UM SONHO REALIZADO !!!! Teve ótimas notas do apgar, e mamou no peito logo que nasceu.

Fui para o quarto depois que passou a anestesia e estava tudo indo bem, eu estava feliz com o nascimento da minha princesa, toda a família estava em festa. Mas comecei a passar mal, depois de duas convulsões os médicos resolveram me levar para UTI, fiquei lá por 24 horas, sem poder ver minha filha, e ela teve que ficar na semi intensiva para ter toda a atenção que precisava e eu não podia dar.

Voltei para o quarto, reencontrei minha filha, mas estava me sentindo mal, até hoje não sei explicar qual era meu sentimento. Oque sei dizer é que me sentia muito culpada pois ao mesmo tempo que queria cuidar dela, ficava muito angustiada quando ela chorava.

Tive alta, fomos para casa, a minha sorte é que minha mãe e meu marido estavam lá para me ajudar, e me ajudaram muito; pois tive uma depressão pós-parto muito forte e acabei voltando a tomar muito daquele remédio que me anestesiava, sem ser por indicação medica dessa vez, e em uma dose muito maior que a permitida.

Minha dependência por esse medicamento foi aumentando cada dia mais, era uma confusão de sentimentos, mas o maior de todos era a culpa, pois eu não queria mais tomar remédio para poder cuidar da minha filha, mas não conseguia parar. Voltei a trabalhar em período integral, me ajudou, mas não resolveu o problema. Estava em tratamento com um médico que depois de várias outras tentativas resolveu que a única saída para tratar minha dependência ao medicamento seria a internação. Fiquei desesperada, mas aceitei, pois, tudo o que mais queria era ficar bem para cuidar da Laura. Dia 9 de junho de 2015, Laura estava com 1 ano e 4 meses, fui internada; foram longos 45 dias de internação; onde fui me conhecendo melhor, trabalhando todo meu lado psicológico, minha sorte é ter o Diego como pai da Laura, pois ele a Laura e minha mãe foram todos os dias de visita me ver na clínica, e isso me dava um novo folego para continuar.

Tive alta da clínica e voltei a morar em Amparo, para continuar meu tratamento por aqui…. Hoje, estou muito feliz, mais de três meses sem tomar sequer 1 comprimido daquele remédio, me sentindo realizada de verdade por ser a mãe da Laura, que é uma criança muito especial e carinhosa, que trouxe cor novamente para minha vida, trouxe luz para a escuridão.

Hoje posso dizer de cabeça erguida, coração aberto e sorriso no rosto que sou MÃE, sou a mãe da LAURA !!!

Eu era: Muito trabalhadora, confiante e extremamente sonhadora. Até o momento em que a perda de um bebê e seus desdobramentos abalaram meu emocional e como consequência toda minha vida. Desde então perdi minha confiança e meus sonhos.

Depois da maternidade, eu sou: A Laura trouxe luz, cor e alegria para minha vida. Estou reaprendendo a viver, a sonhar e acreditar que posso muito mais. Por ela aceitei ajuda para iniciar meu tratamento e sigo firme e forte, confiante novamente.

Como descobriu a gravidez: Da última gravidez; fiz um exame de sangue com 2 dias de atraso. Eu estava dentro do cinema, no meio de um filme, quando vi o resultado pela internet. Quase explodi de felicidade.

Pretende ter outros: Nesse momento não penso em ter outros.

Trabalha: Fiquei afastada para dar início ao meu tratamento (internação), mas agora estou voltando aos poucos…

Babá ou escola? Por que optou por isso: A Laura vai à escola desde os 11 meses. Uma escola muito acolhedora e fundamental no auxílio e acompanhamento dela desde o início do meu tratamento. Escolhemos a escola para que desde cedo ela aprendesse a conviver e compartilhar; e acredito ter sido a melhor escolha. Ela adora ir para escola !!!

Melhor distração: Música e artesanato.

Ícone: Minha MÃE, uma mulher guerreira, batalhadora, amiga e companheira.

Ser feliz é: Poder estar bem, ao lado da minha família e amigos.

Uma dica para as futuras mães: Siga seu coração e sua intuição, que no final tudo dá certo.

Um programa inesquecível: Eu amo viajar, e já tive várias viagens inesquecíveis, mas depois da maternidade o melhor programa para mim é poder passear de mãos dadas com minha filha

Ana X Ana: Complicado escrever sobre mim neste momento de tantas reavaliações e de tantas redescobertas. Minha vida tem sido de muito aprendizado nas relações interpessoais e eliminação de pré-conceitos. Sou uma mulher que busca a felicidade, e estou aprendendo que ela não está apenas nos grandes momentos da vida, mas nos momentos mais simples também. Amo minha família acima de tudo! Sou determinada, trabalhadora, adoro viajar, ouvir música e estar com as pessoas que amo. Estou um pouco menos sonhadora e mais realista. Amo a Lasanha da minha mãe, Galinhada do meu avô, Raclete, comida japonesa e Coca-Cola.

Estou vivendo um dia de cada vez, mas intensamente todos os momentos…

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