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Daya Lima – Entrevista Mãe da Semana

Ixi…

Adoro escrever, sou jornalista, mas acho que nunca escrevi sobre mim e minha história. Vamos torcer para eu não gostar tanto, assim não canso ninguém de tanto ler! Rsrs.

Tenho 33 anos e NUNCA quis ter filhos. Como boa sagitariana que sou, prezo muito minha liberdade e, até meus 26 anos, filhos era sinônimo de privação. Estava mega feliz com minha labrador Milla, uma filha, de fato, que se foi aos 12 anos, e com a Nina, filha da Marcela (minha mulher), que a adotou quando ela tinha apenas 2 anos. Eu cheguei na vida dela quando tinha 6.

Voltando no tempo para entenderem, eu e Marcela somos casadas há 12 anos. Desde adolescente soube que era gay, mas não havia possibilidade de viver casada com uma mulher. Jamais enfrentaria essa “barra”. Meus pais jamais iriam aceitar. Mas quando conheci Marcela, tudo mudou, de verdade. Ela foi minha professora na faculdade e nos apaixonamos. Eu era casada. Sim! Casei super cedo (21 anos) com um homem para tentar fugir. Marcela veio e me mostrou que não havia fuga, só aceitação, e que ela precisaria vir primeiro de mim. Veio e veio logo. Não sou muito de lamuriar. Aceitei, separei, com apenas seis meses de casada, e, em 3 meses de namoro, fui morar junto com Marcela. Casamos.

Nina, ainda pequena com apenas 6 anos, foi um plus. Era graciosa, educada e eu comecei a ter, com ela, alguns momentos maternos, poucos, mas bem importantes. Para mim estava ótimo. Eu vivia aquele momentinho, mas a barra toda era da Marcela e pronto. Eu também amava o jeito de Marcela ser mãe. Lia todas as noites, muito dedicada, amiga, doce. Eu babava (e ainda babo muito!) nela.

Com a convivência, comecei a assumir alguns papéis mais significantes na vida de Nina e o negócio começou a ficar sério. Tão sério e uma certa noite eu, a rainha da liberdade, sonhei que estava grávida e com um barrigão lindo. Acordei muito emocionada e com uma certeza: queria ser mãe. Marcela ficou radiante. Ela é uma mamãe convicta. E eu, ainda sem saber como faria direito, só tinha certeza que queria engravidar. Mas só consegui isso aos 28. Assim que eu comecei a pesquisar sobre o assunto, marcar médico e tudo mais, meu irmão, com apenas 18 anos, descobriu um linfoma e o meu mundo caiu. Eu e Diego somos muito próximos. Eu e ele sempre tivemos uma relação muito maternal (depois eu entendi que comecei a exercer a maternidade com ele!) e descobrir que ele estava doente foi a morte para mim. Os seguintes 8 meses de tratamento dele foram de muita reflexão e imersão na vida dele. Eu não pensava em mais nada a não ser “curar” meu irmão. E foi assim, graças a Deus. Todas as 16 sessões de quimioterapia eu estava lá, como mãe mesmo, segurando a barra e cuidando para que aquele fosse apenas mais um momento, sem grande dor ou trauma. Hoje, ele com 26 anos, mora na Austrália e é meu grande herói. Eu não entendia, mas esse momento de doença foi uma grande preparação para mim.

Eu, Daya, era muito imperativa, mandona, alto-suficiente, decidida, prática e tudo mais que caracteriza uma mulher muito independente, porém muito imatura também. Com o câncer do meu irmão, continuo mandona, prática, decidida, mas aprendi a ter paciência, a ouvir, a ter mais esperança e saber que tudo daria certo. E deu, graças a Deus!

Depois da tempestade, a bonança veio em forma de uma barriga linda. Fiz fertilização in vitro e, bingo! Ficamos grávidas de gêmeos logo de primeira. Colocamos três embriões e dois vingaram. Porém, com 12 semanas, um deles não foi para frente e ficou apenas a minha menina-moleca. Lisa nasceu no dia 2/9/2010 e nunca me senti tão impotente. Logo eu, a decidida e sabida de tudo, me vi extremamente frágil. Marcela, por sua vez, foi mais que especial. Me trazia tranquilidade e uma segurança incrível de que tudo iria dar certo. Amamentei Lisa por um mês, apenas, e isso foi para mim uma derrota. Depois entendi que eu não morava na selva e que poderia dar fórmula e tudo daria certo. Lisa é uma menina linda, saudável, extremamente inteligente e eu babo nela, de verdade. Quando eu crescer, quero ser que nem ela: forte, geniosa, porém doce, meiga e muito verdadeira. Como aprendo com ela, meu Deus!

Mesmo com duas em casa, o mosquito da maternidade não  parava de rondar a cabeça de Marcela. Eu já disse que ela é a mãezona, né? E é. A mais compreensível, a mais derretida, a mais paciente. Todos os 3 já sabem em quem pode ir quando querem determinada coisa, é impressionante. Dessa vez a barriga seria para Marcela. Eu, quando fiz a retirada dos óvulos para a FIV, fiz mais alguns e congelei os embriões prontos. Ah. Esqueci de falar que a escolha do doador foi super simples. Uma lista me mostrou as opções de etnia, cor de cabelo, cor dos olhos, profissão e hobby. Escolhi 10 possíveis doadores e dei para a médica ver qual estava disponível. Não sei o escolhido, só sei que é a pessoa mais incrível que não conheci, o mais amado, aquele que está nas minhas orações sempre, que agradeço todos os dias em pensamento. Para meus filhos, ele é o “homem bom”.

Mas, voltando, Marcela não pode engravidar. Estava com 45 e nossa médica achou melhor ela não passar pelo turbilhão de hormônios que a preparação e a gravidez traria. Não faria bem à saúde dela. Lá foi eu de novo ficar barriguda.

Dessa vez, de primeira novamente, fiquei grávida de Francisco, o homem da casa e da minha vida. Desde a primeira gravidez, eu queria ter um menino. Era muita calcinha em casa e eu precisa de uma cueca. Veio Lisa. Quando engravidei dele, eu tinha certeza que teria outra menina. Esse negócio de sexto sentido de grávida é furada. Errei as duas vezes! No dia de ver o sexo, eu estava tranquila, pois não era hora de saber o sexo, ainda tinha um mês de expectativa. Mas o pingulinzão dele estava lá, todo a mostra para as mamães. Eu não acreditava. Chorava que nem uma louca. Pronto. Meu homem estava no forno! Rsrs. E que homem! Francisco, tal como Lisa, nasceu de cesária no dia 14 de maio de 2013. Um meninão que nem chegou a usar roupa RN e P. Foi logo para o M e hoje, com quase dois anos, usa 4. Um absurdo. Uma delícia de menino. E uma surpresa também. Achava que os meninos eram mais duros, mais fortes. Mas Francisco veio me mostrar essa doçura toda. Como é manhoso. Uma delícia das mamães.

Apesar de parecer que a barra é ser gay, mãe e bancar essa família para a tal sociedade, o difícil mesmo é fazer valer, juridicamente, essa família. O nosso judiciário ainda é muito arcaico e demoramos quase 2 anos, de cada um dos filhos, para registrá-los como deveria ser. Lisa e Francisco nasceram e foram registrados apenas com meu nome. Sem pai, claro. Dois anos depois de Lisa nascer, conseguimos, por meio de processo judicial, que Marcela também fosse reconhecida como mãe dela. Nessa época aproveitei para adotar Nina também, assim seriam todos irmãos de papel passado e pronto. Francisco nasceu e só agora, 1 ano e 9 meses depois, tem sua certidão como deve ser: registrado pelas duas mães. Minha paciência e esperança não se afloraram apenas no câncer do meu irmão ou no dia a dia com as crianças. Afloraram, e muito, nesses processos, chatos, caros e muitos demorados. Mas vale a pena cada segundo, cada real gasto com isso. A segurança não tem preço.

É importante que se entenda que isso não é um capricho, é uma necessidade. Meses atrás Marcela foi levar Francisco para vacinar numa clínica particular. Não deixaram! Só a mãe. Oras, ela é a mãe também. Mas como não conseguia comprovar, não pode. E isso porque era uma coisa, relativamente boba, mas se fosse uma internação? E se eu ficasse doente, faltasse, sei lá? Não podíamos correr esse risco. Agora, tudo certo, regularizado e bora pra vida! E, quem sabe, para mais um. O mosquitinho da maternidade não sai da cabeça de Marcela…meu tormento. Socorro!

Vale ressaltar que hoje, meus pais, amigos, familiares e todo mundo entendem e respeitam nossa família do jeito que ela é. Tal como eu entendo e respeito a família de todos. Se aceitar e se respeitar são o princípio para tudo. E é isso que tento mostrar para os pequenos todos os dias. É o mínimo que eles esperam de mim.

Amei isso aqui! Desculpem o tamanho do texto. Me empolguei, claro! Bjs!

Eu era: mandona, impaciente, imatura

Depois da maternidade, eu sou (eu tento!): ser mais paciente, mais madura e menos mandona!

Tem quantos filhos: 3 Pretende ter outros: Talvez…socorro! Marcela, não pode ler isso!

Trabalha: sim, sou jornalista.

Em caso positivo, onde ficam as crianças: em casa e vão para a escola na parte da tarde.

Por que optou por isso: Na parte da manhã conseguimos ficar com eles. A tarde vão para a escola. Prefiro assim do que deixar com babás e tal. Nada contra, mas não os meus filhos. Se eu precisar um dia, ok também.

Melhor distração: livros e filmes. Apesar que ainda não consegui, depois de ter Lisa e agora emendando com o Francisco, um tempo para ler. Começo, mas me arrasto. Tento quando vou dormir e durmo. Um saco. Amo demais. Leio com eles, na hora de fazê-los dormir. Sei de tudo das historinhas. Rsrs.

Ícone: Marcela.  Minha mulher, meu amor, aquela que despertou, em mim, a vontade de ser mãe. Se aprendemos por osmose, isso super aconteceu com a gente. Ela é uma mãe tão adorava, tão invejada, que eu quis ser que nem ela.

Ser feliz é: Estar em casa com todos eles rindo, chorando, vivendo a loucura do dia a dia. Não tem preço, de verdade. Apesar dos meus ataques de que está tudo bagunçado, que a casa está uma loucura e tal. Amo isso. Viver sem isso nunca mais.

O maior sonho: Ver meus pequenos grandes e felizes.

Horas de sono por noite: 5, no máximo…

Uma dica para as futuras mães: sem paranoia, sem crise. Apenas sinta e viva esse privilégio. A mãe nasce junto com o filho. Os dois aprendem junto. Muito importante é saber ouvir a intuição também. Sim, nossas mães sabem, as titias também sabem, as amigas já mamães também, mas nós sabemos mais. Precisamos acreditar nisso. Isso nos dá poder.

Um programa inesquecível: a praia. É sempre inesquecível com eles. Eles amam o mar e eu amo a informalidade da praia. Sem vestidinhos lindos, sem estar almofadinhas. Crianças do jeito que deve ser.

A viagem perfeita com os pequenos: Disney, em janeiro agora. Foram sensacional. Eles amaram. Francisco amou mais que tudo. Mas descobri que ele ama mais a Ninei (Minnie) do que a mim. Ok. Ele vai esquecer dela, eu espero! Rsrsrs.

Daya X Daya: Em construção, ainda. Tentando ser boa mãe, boa mulher, boa amiga, boa profissional, boa pessoa. Não vou desistir.

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