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Daniela Baroni – Entrevista Mãe da Semana

Eu sou Daniela, tenho 35 anos, entrei no 4 M@ms já na fase boa da maternidade, por indicação da minha amiga Flávia Moré, depois do turbilhão que passei em 2011…

Quando falo já na fase boa da maternidade, é porque considero importante, para ajudar outras mamães, contar que, como muitas aqui, não tive uma história muito feliz quando resolvi ser mãe. Para mim, a maternidade foi planejada e, em 2010, eu e meu marido resolvemos encomendar o nosso bebezinho e… bingo, engravidamos na primeira tentativa. Tive uma gravidez absolutamente tranquila, tinha 31 anos, fiz o pré-natal certinho, estava feliz e tranquila, como a grande maioria dos casais, curtimos juntos, viajamos para fazer o enxoval, fizemos diversos ultrassons, tudo certo nos morfológicos, escolhemos a maternidade em que ela nasceria e nossa menininha – Maria Clara – até então estava perfeita para chegar, como chegou, no dia 13 de julho de 2011…

Todavia, infelizmente nem sempre tudo é como gostaríamos… Para nossa enorme surpresa, nossa princesa nasceu com uma cardiopatia grave congênita detectada somente após o parto, uma insuficiência em duas válvulas do coração e teve que ser transferida às pressas para o Hospital do Coração. Foram 15 dias de muita luta na UTI cardiopediátrica, uma cirurgia cardíaca de grande porte e, infelizmente, nossa pequena guerreira não sobreviveu ao pós-cirúrgico… Voltou a ser uma estrelinha no céu e com ela se foram todas as minhas esperanças e alegrias…

Dali por diante, passei por meses muito delicados junto com meu companheiro e sempre parceiro marido. Decidimos levantar, reerguer, acreditar que tudo aquilo tínhamos vivido por um propósito maior, o qual ainda não entendíamos direito, mas que de alguma forma tínhamos colaborado para a evolução daquele anjo que passou tão rapidamente e mudou tão profundamente as nossas vidas… Não foi fácil, confesso, e nem é fácil até hoje. É uma dor que nunca se vai, a gente simplesmente se acostuma com ela ali, naquele cantinho guardada, e procura achar graça em outras coisas…

Juntos, nos unimos ainda mais e decidimos que não iríamos desistir de ter um bebê. Exames feitos, luto vivido, a primeira providência (e mais difícil) foi se livrar da culpa, tão comum a quem passa por um trauma tão grande quanto uma perda dessas… Mas seguimos em frente, com o apoio um do outro, bem como da família e dos amigos, que nos foram tão essenciais nesse momento tão difícil…

Após 9 meses da passagem da nossa Maria Clara, fomos agraciados com mais uma gravidez… E dessa vez de um menino! Confesso que engravidar novamente após um acontecimento desses não foi fácil. Passamos a gravidez toda bastante tensos. Fizemos dois ecocardiogramas fetais. Sabíamos que o que tínhamos passado era fruto de uma fatalidade, mas, ainda assim, o trauma era grande… Graças a Deus, no dia 4 de janeiro de 2013, o Guilherme chegou para alegrar as nossas vidas, lindo, gordinho e totalmente saudável!!!

Nossa vida agora está completa. Temos nossa estrela no céu e nosso anjo na terra!

Eu era: muito mais individualista antes de ser mãe

Depois da maternidade, eu sou: penso primeiro nele

Como descobriu a gravidez: as duas de forma muito rápida, sou super ansiosa e estava louca para engravidar!!

Pretende ter outros: Não! Estamos felizes e completos com o Guilherme!

Trabalha: Sim! Em período integral

Em caso positivo, onde ficam as crianças: Em casa com babá pela manhã e na escola à tarde

Por que optou por isso: foi uma opção que funcionou legal para ele. Já deixei no berçário integral, mas ele ficava muito mais doente. Acho que o meio período funcionou melhor, gosto muito de escola e ele fica menos doente assim.

Melhor distração: viajar com meu marido e meu filho

Ícone: não tenho. Gosto da Angelina Jolie, admiro a forma com que ela vive a vida dela.

Ser feliz é: ter saúde, energia e fazer o que se gosta a maior parte do tempo.

O maior sonho: ver meu filho feliz e envelhecer junto com meu marido.

Horas de sono por noite: hoje estou conseguindo dormir mais ou menos 7 horas por noite, quando ele deixa rs, mas o Guilherme dormiu mal até mais ou menos 1 ano e meio.

Uma dica para as futuras mães: aqui vou deixar uma dica específica para as mamães que, como eu, passaram por um luto, um grande trauma, uma perda de filho ou aborto: vivam o luto, livrem-se da culpa antes de engravidar novamente. Depois, permitam-se ser felizes no casamento, apoiem seus maridos também, pois eles também sofrem com a perda como nós e permitam-se serem mamães novamente. A dor sempre será inevitável. A cicatriz ficará ali, guardada no coração para sempre. Mas temos outras chances e motivos para sermos felizes. A vida nos presenteia com isso diariamente, basta abrirmos os olhos e enxergarmos.

Uma receita infalível para os pequenos: muita conversa ao pé do ouvido, eles entendem tudo o que falamos, desde muito bebezinhos, a conexão conosco é incrível.

Um programa inesquecível: sábados de Sol na pracinha. Momentos mais simples que fazem tudo valer a pena.

A viagem perfeita com os pequenos: Hotel fazenda. O Gui ama!!! Ano que vem vamos levá-lo à Disney pela primeira vez também, não vejo a hora!

Daniela X Daniela: Muito difícil falar da gente. Depois de tudo o que passei eu me considero uma pessoa forte. Mas também não sou muito fácil. Sou super teimosa, sou ansiosa pra caramba, geniosa, meu marido que o diga… rs. Mas amo cuidar, sou dedicada… Depois do que eu passei, procuro levar as coisas de uma forma mais leve, pois eu sempre levei tudo muito a sério. Passei a me cuidar mais também depois da maternidade. Quero estar bem para a minha família, quero envelhecer bem, saudável, feliz! A vida passa em um segundo e a gente nunca sabe o que pode acontecer de um dia para o outro. Então vamos embora ser felizes, ainda que a vida nos dê limões, procuremos fazer litros e litros de limonada!

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2 comentários

  1. Camila

    Nossa, sua história me emocionou demais pq é muito parecida com a minha. Tb tenho uma filha que nasceu com o coraçãozinho especial. Só que descobrimos com 26 semanas e pudemos nos preparar. Ela nasceu no Hospital do Coração e passamos 2 meses la. Graças a Deus minha pequena aguentou firme 2 cirurgias e 1 cateterismo e está linda com seus 2 anos e 9 meses. Já tivemos que enfrentar outra cirurgia em agosto passado e desta vez foi muito pior que da outra vez, pq ela entendia o que estava acontecendo mas não compreendia o porque. Foram dias muito difíceis, ver sua filha com dor, cheia de acessos, tubos e não poder fazer nada…mas temos que ser fortes por elas. E assim vai…..bjo grande

  2. Flavia Sá

    Amiga sou cada vez mais sua fã. Admiro muito sua força e sabedoria. Bjos