categorias: Mãe da Semana

Claudia Noçais – entrevista

Nunca me vi como m@e da semana, mas eis que recebo o convite, fiquei gelada, perna tremeu, mas adorei, topei e olha eu aqui… Kkk

O que falar de mim? Tive uma infância muito feliz. Morava num bairro calmo aqui de Sampa, adorava brincar na rua, vivia ralada e com as pernas roxas… Saudade dessa época que meu filho jamais vai imaginar como é… Sou filha do meio e por isso vivia um dilema, porque ou era pequena pra acompanhar meu irmão mais velho, ou era grande pra acompanhar minha irmã menor… Nessa confusão só me restava sonhar usando livros e meu inseparável walkman no qual ouvia minhas fitas K7 onde gravava de tudo, mas de preferência o Menudo (abafa!). Sonhadora, eu queria ser professora, advogada e astronauta, sim astronauta!!! E assim foi, fiz magistério, curso que amei, mas ser professora não me completava, então fui fazer Direito e me realizo como advogada! Agora astronauta só nos meus sonhos mesmo!!! Sempre fui certinha, estudiosa, boa filha, encrenqueira… Kkkkk Aliás briguenta sou até hoje, detesto injustiças!!! Conheci meu marido no cursinho, eu aluna e ele professor assistente de física, porque ele fazia engenharia na Poli e garantia uma graninha dando aulas por lá… Começou a me dar aulas particulares e estamos juntos há 22 anos, sendo quase 17 deles casados. No começo, não cabiam filhos nas nossas vidas porque queríamos fazer pós graduações, MBA’s, crescer na carreira, enfim tudo que a maioria dos jovens querem… Sempre fomos de sair com amigos, cinema, Teatro, viagens, vida agitada, sem monotonia nesse período de muita ralação. Aí quando atingimos o que achávamos confortável profissionalmente, começamos a pensar no assunto filho e tentamos, tentamos, tentamos e nada. Então, procuramos ajuda e descobrimos que não tínhamos nada considerável que atrapalhasse, mas nada acontecia, o que os médicos denominam de infertidade sem causa aparente. Decidimos, então, pela utilização de medições e as utilizamos por um período e nada, mas sabíamos que a nossa vez chegaria. Sempre fomos muito parceiros e nunca deixamos a peteca cair. Mudamos de especialista e novas perspectivas nos foram apresentadas, até que a vida nos deu um golpe, descobrimos que minha mãe estava com câncer de pâncreas, dos mais agressivos e sem possibilidade de cura. Balde de água geladíssima!!! Uma mulher linda, ativa, jovem (60anos), cheia de sonhos com estimativa de vida de 6 a 12 meses. Objetivo, agora, era cuidar dela e dar a ela a sobrevida melhor, mais feliz e confortável possível e assim fiz, até que ela morreu nos meus braços 1 ano após descobrir a doença… Mas a vida segue, mesmo que dura, e tinha a minha meta a buscar, a tão sonhada maternidade. Porém, cuidei do meu pai por quase 2 anos, quando ele resolveu voltar a morar sozinho e seguir a vida dele. Foi aí que retomamos os tratamentos realizando milhares de exames, aí traçamos uma meta com o médico e passamos a fazer reprodução assistida. Novamente nada aconteceu… Meu relógio biológico avançando, a nossa última opção era a FIV – fetização in vitro. Passamos 3 semanas em Orlando, numa viagem muito bacana com meus sobrinhos de 15 anos e na volta nosso tratamento seria iniciado. E foi. No dia 24/11/2011 iniciei as injeções de hormônios, fiz 40 anos em 30/11/2011, a coleta de material em 08/12/2011, transferência dos embriões em 10/12/2011 e em 23/12/2011 o tão sonhado POSITIVO!!! Isso mesmo, meu melhor presente de Natal de toda a vida!!!! Não cabia em mim… Foi a maior festa, já que sou a mulher mais velha da família e a única que não tinha filhos!!! Tive uma gestação super tranqüila, engordei super pouco (7kg) e hoje tenho meu maior tesouro com 1a10m, meu Bernardo, que me enche os dias de amor e alegria. Essa gestação me troxe muitas outras coisas boas, uma delas o m@es, sem hipocrisia, pois aqui aprendi muito durante a gestação e aprendo como mãe; tive companhia nas madrugadas geladas de amamentação (meu baby nasceu em agosto) – saudades dessa mulherada e das risadas daqueles tempos – , chorei com muitas, ri com outras tantas, me revoltei com tantas outras e sua falta de educação; mas fiz vaaaaaaaarias amigas, algumas que ainda são virtuais, mas muitas já estão no mundo real, e algumas que são minhas novas amigas de infância!!! (rs) Meu maior drama foi voltar a trabalhar… Só Deus sabe como era sofrido sair todos os dias e deixar meu filhotinho com a babá… Ciúmes, medo, insegurança e CULPA, ah a culpa… Consegui levar a situação por 9 meses, quando briguei feio com o chefe e resolvi parar, já que tenho retaguarda e apoio do marido. Foi a melhor coisa que fiz, meu filho é outra criança, mais feliz, mais seguro e o seu desenvolvimento é outro… Falta de trabalhar fora eu sinto, e muita, afinal sempre trabalhei, mas não volto no rítimo que tinha, já que ser mãe em tempo integral me ocupa bastante e faço com amor!!! E, claro, agora queremos um (a) segundinho (a) então rezem por nós que logo, logo espero voltar com novidades!!!

Eu era: Dorminhoca, desorganizada, desregrada, avoada.

Depois da maternidade, eu sou: super regrada, organizada, acordo cedo e muito feliz.

Como descobriu a gravidez: fiz exame de sangue após FIV

Pretende ter outros: siiiiiim

Trabalha: sou mãe em tempo integral

Em caso positivo, onde ficam as crianças: já trabalhei e o filhote ficava em casa com a babá.

Por que optou por isso: na época era a melhor opção para nós.

Melhor distração: meu filho e os passeios que fazemos em família.

Ícone: minha mãe, mulher guerreira, forte, mãezona que sempre trazia um largo sorrizo no rosto, independente do que estivesse acontecendo e isso nos transmitia segurança e confiança sempre.

Ser feliz é: ter saúde para curtir a família.

O maior sonho: ficar bem velhinha e ver meus filhos, netos e bisnetos serem felizes.

Horas de sono por noite: umas 6h. Filhote dorme bem, mas eu não consigo dormir cedo…

Que horas curte o marido: a noite e aos finais de semana.

Uma dica para as futuras m@es: sigam seu coração, sua intuição, porque cada família é única e cada criança tem suas necessidades, por isso, nem sempre o que deu certo para uma dará para outra e ninguém é dono da verdade.

Uma receita infalível para os pequenos: organização, disciplina, firmeza e muito amor.

Um programa inesquecível: a viagem para Orlando com meus sobrinhos foi a melhor, até hoje.

A viagem perfeita com os pequenos: ainda não fiz grandes viagens com meu filhote, mas ele curtiu muito o interior e os bichos no sítio.

Claudia X Claudia: apesar de tímida, sou brincalhona, alegre, amiga dos amigos, fiel. Pra fechar essa frase tem muito de mim: “Without my children my house would be clean and my wallet would be full but my heart would be empty!!!”

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5 comentários

  1. Fernanda

    Linda!!! Orgulho da minha amiga!!!

  2. Izabel

    Amei, Clau… Linda e emocionante história…!
    Bjs, super querida!!!❤️

  3. Priscila Harari Goldstajn

    Claaaaau, temos várias coisas em comum, que eu nem podia imaginar…. a começar pela vontade de estudar astronomia, ouvir fitas K7 com musicas do menudo, e então o mais importante, que é a maternidade, após muitas FIVs…
    Parabéns por ser essa mulher guerreira e determinada, e por dar tanto amor ao seu gatinho!!! ele é lindo, e já sei porque!! 🙂
    beijão…

  4. Marcella

    Claudia, adorei sua história e estarei aqui,na torcida pelos nossos segundinhos!!!Ebaa!!!

  5. Cristiane Pontes

    Parabéns Claudia!!! Emocionante história !! Linda família que vc formou!! Bjsss e bjsss no Bernardo lindo!!