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Denise Gorgatti Jullier

 

Adoreiii o convite pra ser Mom’s da Semana, meninas, surpresa deliciosa!

 

Ser mãe é o que faço de melhor atualmente!

Engraçado, porque nunca tive aquele sonho de ser mãe que algumas mulheres têm. Eu queria, sim, ter um companheiro, e Deus me deu esse presente. Conheci o Frê no ano 2000, nos casamos em 2005 e apesar de eu já ter 30 anos, não pensávamos no assunto filhos ainda. MAS, já tínhamos um nome: Giovana!

 

Quando eu estava com 33, descobri um cisto gigante no ovário esquerdo e tomei hormônio por 2 anos para tratá-lo. Aí, sim, bateu um medinho de não conseguir ser mãe! Mas assim que parei o remédio, o medico me deu as alternativas de operar o cisto ou engravidar, e me deu só 6 meses de prazo pra começar algum tratamento de fertilidade. Quatro meses depois, a menstruação atrasou. Opa! Eu era super regulada… Pensei: “Será?!”. Eu repetia o mantra “vai descer, vai descer, vai descer” pra não criar muita expectativa. A essa altura eu já estava doida pra engravidar, né? Tive que comprar um presente no shopping, comprei um teste lá mesmo e aí a ansiedade atacou. Corri pro banheiro do shopping e fiz o exame lá! Engraçado foi eu saindo do banheiro e meu marido filmando com o celular, eu vi o resultado e tive que traduzir pra ele! A gente falava: “E agora?” e ria, ria… Eu queria sair contando pra todo mundo no shopping!

 

No dia seguinte, começou um pequeno sangramento, que durou quinze dias. Fiquei de repouso absoluto, mas depois tudo correu bem. Eu estava maravilhada. Não acreditava que aquele milagre estava acontecendo comigo, pedia a Deus o tempo todo para que protegesse meu bebê. Recuperada do susto, vida normal. Fiz hidroginástica, caminhei bastante, viajei pra comprar o enxoval aos 6 meses de gestação. Uma bela manhã, estava com 34 semanas, estava tomando café para ir para a hidro quando senti escorrer algo, parecia um escape de urina. Liguei pra parteira – pausa: sim, eu pensei em ter a Gi em casa, mas na primeira consulta ela tinha me falado que prematuro não nasce em casa -, e pela descrição do cheiro ela confirmou que era líquido amniótico. Eu tinha consulta na GO, que é uma fofa e se dá super bem com a parteira, elas se falaram e a médica me mandou pra casa, fazer repouso absoluto pra adiar o TP e começar com os corticóides para os pulmões. Fiquei 4 dias em casa com a bolsa rota.

 

No terceiro dia de repouso, eu completei as 34 semanas e entrei na 35ª. Era um sábado à noite, comecei a sentir que algo ia acontecer. Não dá pra descrever, mas senti muito claramente. Como é intuição de mãe, né? Tiramos um monte de fotos da barriga, gravamos um vídeo para a Giovana e tentei descansar. Tive contrações bem espaçadas durante a noite, acordava com elas, mas não doíam. Domingo de manha começaram a ficar mais frequentes e intensas. Falei com a médica, combinamos que quando as contrações ficassem regulares a cada x minutos (não me lembro quantos), eu a avisaria e iria para a Pro Matre. Quando começou a doer PRA VALER, liguei novamente e ela disse que não ia mais segurar, que a Gi iria nascer. O que eu fiz? Fui votar, oras! Poxa, era dia de eleição, eu sabia que ia ser super chato pra justificar depois, além disso eu queria MUITO um parto normal, então tinha que me mexer! O Frê, que já tinha votado, me levou. Tive uma contração ao descer do carro, fiquei parada dando aquela reboladinha pra aliviar, votei, tive outra contração, outra reboladinha e entrei no carro pra ir pra casa.

 

Almocei, a essa altura eu já estava subindo pelas paredes. Fomos para a Pro Matre, eu, Frê e minha mãe, que chorava ao me ver gritando de dor. Eu gritava muito tranquilamente, sem xingar ninguém (quem entrou em TP sabe do que estou falando rsrsrs) nem me desesperar. Era um ai-meu-Deus-do-céu-me-ajudaaaaa atrás do outro! kkk Estava segura e me achando super poderosa! Eu ia ter minha pequena! Enfim, cheguei lá às 14h, estava com três dedos de dilatação. Ligaram pra minha médica, que achou que ia demorar e continuou em seu almoço de família.

 

Fui para o centro cirúrgico quando estava com cinco dedos, tomei anestesia proporcional a essa dilatação, não pegou, a dor até aumentou. Fizeram novo toque e… surpresa: dilatação total! Pulei de alegria! E nada da minha médica chegar… Ainda ouvi o pessoal conversando se seria cirúrgico, e a enfermeira dizendo que não, que a médica disse que seria vaginal. Uhu, Dra Vera! Eu a amo desde aquele dia! Corajosa! Enfim, a anestesia pegou. A Dra chegou toda descabelada, depois de tomar várias multas de velocidade na 23 de maio, e ficou comigo só 10 minutos até a Gi nascer, às 16:30. Tadinha, me deixaram vê-la rapidinho e já levaram para a UTI Neo.

 

Ela nasceu super bem, Apgar 9-10, chorando forte, mas era miudinha, de baixo peso. Não precisou de oxigênio, só do calor da incubadora. Foram 12 dias de UTI. Sou fonoaudióloga, e como em casa de ferreiro o espeto é de pau, ela não conseguia mamar. Por isso e para ganhar peso nos seguraram no hospital. Eu passava o dia todo lá com a Gi, ficava das 8 às 19. Isso porque as enfermeiras me mandavam pra casa descansar, senão eu ficava para a mamada das 21h. Mas deu tudo muito certo, a alta foi um dia de muuuita felicidade para mim. Tirei muito leite na bombinha pra dar na mamadeira, e com o tempo ela finalmente aprendeu a mamar.

 

Aos dois meses de idade, a Gi teve uma infecção urinária e descobrimos uma malformação, ela tem o rim esquerdo pélvico, ou seja, na cavidade pélvica e não na região lombar. A princípio, meu mundo desabou, foi um mega susto, mas o nefro nos tranquilizou bastante. Ela nunca mais teve uma infecção, toma antibiótico profilático até hoje, que estamos diminuindo aos poucos, mas como os exames dela estão ótimos, possivelmente ela vai parar após desfraldar. Se o quadro dela estabilizar sem atb, com controle da micção e sem infecção, ela não vai precisar de cirurgia. Ufa!

 

A Gi mamou muito, nunca complementei. Tive muitos empedramentos e mastites, tomei antiinflamatório três vezes. Quando ela estava com um ano, senti um grande caroço no seio esquerdo. Fiz massagem, coloquei pra mamar em diversas posições, o caroço diminuía mas não sumia. Marquei consulta com a GO pra quase dois meses depois, porque minha médica é muito concorrida. Meio assustada, conversei com algumas GOs que conheço, e todas me diziam: é leite, é sei lá o que, mas não precisa se preocupar, imagina, você está amamentando! Bem, fui à consulta, ela pediu um ultrassom que deu nódulo de conteúdo espesso ou rígido (frio na espinha), então me encaminhou pra um mastologista. Marquei qualquer um só pra ele me pedir uma biópsia, e o médico me perguntou: “Mas por que você veio? Isso é leite!”. Nem sei o que teria acontecido se eu não tivesse insistido! A biópsia foi feita no dia 23 de dezembro do ano passado. O resultado só sairia dia 5 de janeiro, então trabalhei minha cabeça pra pensar que era leite, afinal estava amamentando, etc etc etc. Passei Natal e Ano Novo segurando a ansiedade.

 

No dia 4 de janeiro, uma tia querida, minha parente mais próxima depois dos meus pais, foi diagnosticada com câncer de peritônio. No dia seguinte, saiu o meu diagnóstico: câncer de mama (gelo na espinha). Foi o último dia que a Gi mamou. Fizemos uma reunião familiar que só não tinha cara de enterro por causa das estripulias da Giovana, que nos fazia rir no meio do caos. Tão rápido quanto o Lula, iniciei o tratamento 11 dias depois. Dois meses depois do diagnóstico, em março, minha tia faleceu deste câncer. Foi um período terrível, não porque eu comparasse a doença dela à minha, mas foi muito difícil sofrer a primeira perda de um ente querido e ver a companheira de luta morrer. Além de tudo, eu teria que seguir sozinha e me manter forte, afinal, eu tinha minha filha pra cuidar. Eu digo sozinha, não por não ter tido apoio. Eu tive, e tenho muito, do Frê, da Gi, dos meus pais, dos meus amigos. Mas é que nessas horas é você consigo mesmo, é o seu corpo, a sua vida, se algo te acontecer, por mais que te amem, ninguém vai com você. È estranho ter essa consciência, mas é bom, ajuda a desapegar.

 

Como o tempo cura tudo, foi ficando mais fácil, e segui meu tratamento com fé, força e otimismo, quase todos os dias. Houve muitos dias difíceis, mas fui superando cada um deles. Foram 6 meses de quimioterapia, depois fiz a cirurgia, e um mês e meio de radioterapia, que acabou recentemente. Vida nova!!! Logo mais começo o controle, que será a cada 3 meses nos primeiros anos. Não posso falar em “cura” antes dos anos de controle, mas estou “sem doença” e me cuidando muito, mudando hábitos em todas as áreas da minha vida.

 

Eu e o Frê estamos fazendo terapia (não de casal, cada um faz a sua), e esta sendo tão bom! Estamos mais unidos que nunca, felizes e com o casamento renovado apesar de todas as dificuldades que vivemos.

 

Este ano foi duro, de muita luta, deixei de ser filha e passei a ser mãe, mulher, adulta, madura. Ganhei muito com a doença e não consigo imaginar o que seria da minha vida sem ela (mas chega, tá, querida? rsrs). Descobri que a imprevisibilidade da vida é para todos, não é só pra mim, ou pra quem está doente. Estamos aqui agora, mas no próximo segundo ninguém sabe. Esse aprendizado não tem preço! Não sei porquê, mas isso me libertou de quem eu era. Agora sinto que posso tudo!

 
 

Eu era: Uma menina! Frágil, insegura, cricri…

Depois da maternidade, eu sou: Uma mulher, mais forte e confiante, mais generosa.

Como descobriu a gravidez: Com um teste de farmácia feito no banheiro do shopping

Pretende ter outros: Não biológicos. Meu médico diz que nada impede, mas que o turbilhão hormonal da gravidez pode não me fazer bem, pelo que já passei. Quem sabe um adotado, um dia (marido tem um ataque se ler isso! rsrsrs). Gente, está caro demais criar um filho!

Trabalha: não, mas pretendo, assim que retomar minha vida.

Em caso positivo, onde fica o bebê: Em casa comigo e a babá.

Por que optou por isso: Para evitar as doenças na escola, até que se resolvesse a questão urinária da pequena. Eu brinco que aqui em casa é um doente por vez! Rsrsrs Ano que vem ela deve ir à escola.

Melhor distração: Viajar. E estar com as amigas, assistir um filme, ler um livro, 4 Mom’s (#vício).

Ícone: Minha família, que é meio maluca como todas, mas é muito unida e generosa.

Ser feliz é: Ter uma vida tranquila, harmoniosa, perto de quem eu amo, e vê-los felizes e com saúde. Se tiver isso, já está bom demais!!!

O maior sonho: Ver minha filha crescer, ter seus filhos, ser feliz…

Horas de sono por noite: 8 durante a semana, só Deus sabe durante o final de semana (Gigi é da turma dos “dormir pra quê?”)!

Que horas curte o marido: à noite, e final de semana quando os avós ficam um pouco com a pequena.

Uma dica para as futuras mom´s: Relaxe, não precisa ser tudo impecável, aliás, nunca vai ser! Você não precisa ser perfeita em todas as áreas da sua vida, isso não existe, tsk tsk. Você vai voltar a ser você mesma, é só ter (muita) paciência!

Uma receita infalível para os pequenos: Rotina, gastar energia, bom senso, calma, paciência. Amor, muuuuito amor! Muito beijo, muito abraço, porque o mundo está precisando de gente mais amorosa!

Um programa inesquecível: A praia tem sido o melhor programa, sempre!

A viagem perfeita com os pequenos: ainda não tivemos “aquela” viagem os três juntos, mas as que fazemos para a praia são deliciosas! Detalhe: agora, porque quando ela era menor eu fugia da praia… Todo mundo achava uma gracinha o bebê viajar e tal, mas ela saía da rotina e sofria demais, e eu sofria ao cubo. Ela é muuuito agitada, um furacão! Penso que tem a ver com a prematuridade.

Denise X Denise: Sou extremamente sensível, demais mesmo, tipo bem chato rsrsrs, muito crítica comigo mesma e um pouco com os outros também. Mas estou melhorando! Sou verdadeira, do bem, gosto de estar com a família e amigos, amo animais, amo a natureza e amo a SIMPLICIDADE nos relacionamentos e na vida. Que eu amo ser mãe acho que é desnecessário falar rsrs…

 

 

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25 comentários

  1. Fabiola Donato Trevisan Thamer

    Menina, me emocionei com a sua estoria …. Chorei e tudo, que coisa mais linda sua força e seu amor pela vida !
    Amei !!!
    Beijos

  2. Adriana Masili

    Denise!!
    Que história lindaaaa!! Vc realmente é uma guerreira!
    Mas uma guerreira diferente, pois não foi o que vc passou,
    e sim COMO vc passou! Vc lutou com fé e alegria!
    Só posso pedir a Deus que te presentei muita saúde e que todos
    os seus sonhos se realizem! Grande exemplo! Parabéns pela linda
    família! Bjks no seu coração!

  3. Bianca

    Nossa, realmente vc é guerreira em tudo que faz!!! Adorei o relato do parto!!! Te admiro muito! Continue com essa fé e garra! beijos

  4. Giovanna Ricci

    Que linda sua história!!!!

  5. Camila

    Lindo, lindo, lindo….um exemplo de pessoa e que história!!! Me emocionei!!! Parabéns por ser como vc é!!!

  6. Camila Tardelli

    Lindo, lindo, lindo….um exemplo de pessoa e que história!!! Me emocionei!!! Parabéns por ser como vc é!!!

  7. Priscila Harari Goldstajn

    UAU!! Emocionada!!!
    Sempre acompanhei você pelos posts, e apesar de nunca termos conversado, sentia em você uma pessoa forte e guerreira!! Agora que li um pouco mais sobre sua vida, tenho certeza do que imaginava!! Você é uma pessoa linda por dentro e por fora, com amor pela vida e, apesar das dificuldades, sempre procurando pensar positivo e desistir, jamais!! Isso é lindo!! Parabéns por ser essa mulher e mãe tão especial!! bjs.

  8. Carol Costa Teixeira

    Nossa, corajosa e guerreira mesmo!!! Parabéns!!!

  9. Gabriella

    Que guerreira vc é!!!! Linda sua história!!!!

  10. Ana Luiza

    Denise,

    Sua história é linda! E, mesmo sem te conhecer pessoalmente, tenho um carinho enorme por vc.

    Bjão,

  11. Gleiser

    Linda sua historia! Adorei e que Deus continue te abençoando muito! Bjs

  12. UAU! Palmas pra vc!
    Guerreira, lutadora e vencedora! Beijo

  13. Ana Cíntia Diosti Kuchkarian

    Linda a sua história! Parabéns.
    Cada vez mais me convenço de que nada é impossível! Basta amar e querer viver.
    Beijos.

  14. Fernanda Matelli Fadin

    Denise, é impossivel nao se emocionar com a sua Historia. Que lição de vida…. Realmante a vida só nos ensina. Parabens por ser essa mulher guerreira. Que Deus continue te iluminando sempre .. e que voce e sua famila sejam imensament felizes.. beijo no seu coração

  15. Karina Campo

    Meus Deus que superação ! Parabéns pela guerreira que você é !

  16. Adriana M. Baptista

    De linda guerreira! Parabens por tudo!! Beijao amiga

  17. Melissa Thó

    Denise querida, conhecer sua história só reforça minha admiração por vc! Parabéns pela garra e fé! Fique com Deus! Grande beijo!

  18. Izabel Alvenius

    Fiz questão de ler! Sabia dessa garra por ter lido alguns posts e comentários… nem por isso deixei de me emocionar de novo…!!! EXEMPLO!!! Parabéns, Denise… de suas características citadas, me identifiquei com muitas… Bjo bem carinhoso e é óbvio que será mamão novamente!!! A palavra tem FORÇA SEMPRE!!!<3

  19. Lidiane Costa

    Denise, sua história é fortalecedora… vc é uma guerreira, forte e admirável! tem todo o meu respeito!

  20. Michela Lázaro

    Denise, não podia deixar de comentar aqui tb! Mamãe guerreira e com uma linda história, merecedora de ser relatada e recontada quantas vezes for possível! Vc é merecedora de muitas bençãos na sua vida, hoje e sempre! super beijo

  21. Eloisa Ueno

    De, emocionadissima!!!!
    Vc é linda por dentro e por fora….assim como toda a sua família!
    O Beto te mandou um beijao!
    Bjs
    Elo

  22. Daniela Dowling

    Parabens pela forma como encara a vida e os obstaculos que surgem no caminho!!
    Linda sua garra e determinacao em ter seu PN e amamentar!
    Sua historia e inspiradora, obrigada por dividir com a gente!!!

  23. Juliana Solano

    Já era sua fã, lendo sua história minha admiração só fez crescer. Que Deus te de muita saúde e alegria você merece tudo de melhor nessa vida, minha querida.
    Um beijo enorme cheio de carinho!!! Ju

  24. Bárbara Gandia

    Amei, amei, amei….#tudodemelhorparavc <3

  25. Cláudia

    Parabéns lutou até o último momento sua vida. Descanse em paz…